
Dia lindo; com muita luz; pensamentos bons; sorrisos; conversas e cultura.
Depois de uma noite maravilhosa de conversas com o Paulo, resolvi ir dormir mentalizando um jardim lindo. (sorri)
Não me lembro se sonhei com o jardim. Acho que sim, pois, acordei com uma sensação maravilhosa e pensando nele.
Acordei com o barulhinho da chuva já fraquinha, caindo em pingos, muito propicio para dormir... Até pensei em ficar em casa e dormir. Mas, a vontade de ir para o curso falou mais alta e assim eu fiz.
No ponto de ônibus estavam algumas pessoas, indiferentes, mas não menos importantes na história da vida.
Entrei e percebi que o ônibus estava lotado, com algumas pessoas em pé, e avistei um banco vazio.
Olhei e fui me dirigindo para o lugar vago... Pedi licença para o senhor que estava com um saco grande e uma aparência de abandono e me sentei sorrindo para ele.
O senhor que estava sentado me olhou com a cabeça baixa, o olhei, e percebi que ele se sentia inferior. Ele se trata de um homem trabalhador, que passou por problemas na vida, foi fraco e não soube lidar com seus pensamentos e com isso; se tornou um sobrevivente das ruas.
Ele nada me disse para que eu percebesse isso... Logo que sentei comecei a puxar assuntos e ele foi se soltando.
No inicio continuara com o olhar baixo; cabisbaixo; triste; pensativo... Longe.
Eu perguntei de onde ele era, pois, reconheci o sotaque: Acertei, ele é de Recife.
Contou-me e eu lhe disse que estive lá há pouco tempo e começamos a reviver a cidade. Ele começou a ganhar vida contando dos lugares preferidos, das ruas, dos familiares, das lembranças... Me mostrou ser muito inteligente e integro.
Ele vende pipocas e acabo de descobrir pela minha mãe que ela já comprou pipocas dele.
Fazem 6 anos que ele não volta para Recife e eu o incentivei muito conversando, o motivando, dando lhe força para enfrentar a vida. Porque não importa o passado, se sofreu, passou, pois a vida tem que ser continuada e com paz, sem medo de errar ou sofrer.
Mesmo sabendo que é difícil recomeçar temos que tentar, no inicio é complicado, mas depois nos perguntamos o porquê de não ter feito isso antes. Nesse período já estávamos com amizade e até soube o nome dele: Luiz.
Falei pra ele que na vida temos vários recomeço. Usei o argumento que: Na sua mocidade o senhor iniciou do zero sem saber o que aconteceria dali pra frente, não foi?!
Então, faça isso agora, viva como na mocidade, reconquistando tudo e vivendo.
Às vezes temos medo de voltar, mas ele passa, temos que olhar para a frente, pensar positivamente e sorrir para as coisas boas.
Ele me disse que suas irmãs e irmãos moravam em PE e ele teria aonde ficar quando quisesse, mas, pelo medo, ele se fechava.
A conversa se seguiu pelos 40 minutos e no final ele estava motivado e se sentindo capaz de tudo. Bastasse ele olhar pra frente e seguir... Conversamos e espero que até o carnaval ele esteja na casa dele com os seus.
Eu sei que não é fácil, mas, muitas vezes essas pessoas só precisam de um empurrão para voltar para a sociedade.
Durante a conversa ele disse: Tantas pessoas entraram e não sentaram aqui. É porque era para que conversássemos, olhou-me e disse obrigado.
Logo eu desci e deixei um aperto de mão, que acho que a muitos ele não recebera.
Esse me fez bem... Me senti bem tentando ajudá-lo, não imaginei falar tudo o que falei, estava falando com muita sabedoria, foi muito bom , não só o senhor aprendeu algumas coisinhas, mas eu também.
O dia percorreu bom e conversei com mais 2 pessoas com problemas e sem saber.
Às vezes apenas conversar já muda muita coisa.
(sorrindo)
Sentindo um sentimento de paz.
Um comentário:
Que linda ação!...bela experiência de vida e para a vida. Tão bom ter podido incentivar o senhor Luiz a idealizar o seu caminho de volta pra casa. É triste sabermos que existem tantos outros "luizes", pernambucanos, perdidos nessa selva de pedra, em busca de sonhos impossíveis...
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